Feijão de Corda

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Como surgem os memes da Prefeitura de Salvador? Temos a resposta!

Postado por em mar 28, 2016 em Cursos, Entrevistas | Um Comentário

 

Boa sorte pra tirar a música da cabeça agora...

Boa sorte pra tirar a música da cabeça agora…

Se você é baiano e usuário fiel do Facebook, com certeza já viu, curtiu ou compartilhou algum conteúdo da página da Prefeitura de Salvador. Tá ligado naquele quiz pra saber ‘qual bairro de Salvador você é’? E aquelas montagens com gírias e situações típicas da baianidade? Sem falar naqueles GIFs marotos que fazem a gente se ‘pocar’ de rir.

E se você é que nem a gente e vive se perguntando “de onde é que esse povo tira tanta criatividade assim?”, decidimos buscar a resposta! Entrevistamos Arysa Souza, jornalista e especialista em gestão de mídias sociais. Desde 2014, ela faz parte da equipe de comunicação da Prefeitura, como responsável pelo planejamento e conteúdo das redes sociais.

No próximo dia 16 de abril Arysa será uma das convidados do Curso de Marketing Político Digital – Pra Ficar Favorável, realizado pela Feijão de Corda Produtora. No evento, vamos debater como o poder de mobilização das redes sociais será importante para as eleições municipais desse ano. Arysa vai comandar o workshop “Como produzir um conteúdo que engaja no Marketing Político Digital”.

Para adiantar um pouquinho do curso e conhecer melhor a receita de Arysa, resolvemos bater um papo com ela:

Conta pra gente como você começou no marketing eleitoral e como chegou à Prefeitura.

Comecei a atuar com marketing eleitoral em 2012, na campanha web para prefeito de Salvador. Nesse período, eu trabalhei com criação de conteúdo, planejamento e também acompanhava o candidato nos eventos para fazer a cobertura em tempo real. Depois disso, fui contratada por uma agência para trabalhar marketing político digital. Em 2014, trabalhei na campanha para governador da Bahia, também com redes sociais. Depois disso, fui convidada para integrar a equipe da Agecom, ficando responsável pelas redes sociais da Prefeitura. Importante destacar – e aí já pensando no curso – que essas são três vertentes diferentes da comunicação: uma é a do marketing eleitoral, que acontece durante uma campanha, quando se trabalha com estratégias mais imediatas a fim de eleger alguém. Outra é a do marketing político, quando você trabalha a longo prazo com objetivo de consolidar a imagem de um político. E, por fim, a comunicação governamental, que envolve a instituição prefeitura e a prestação de serviço aos cidadãos.

Dá para ver que a atual Prefeitura tem investido pesado nas redes sociais, mantendo sempre o bom humor nas postagens. Qual o objetivo com isso?

A rede social, por si só, já é esse espaço que pede mais leveza, e o cidadão de Salvador carrega na sua essência esse bom humor e essa identidade despojada. Além disso, vivemos um momento em que voltamos a explorar e a ter orgulho da nossa cidade. Salvador está na moda: as pessoas estampam gírias nas camisetas e gostam de mostrar que há algo especial e místico por aqui. Se Salvador é tão querida e tem esse povo divertido, por que a comunicação da Prefeitura seria diferente? Esse cenário só fez confirmar que tínhamos as condições de fazer uma comunicação com roupagem mais leve, divertida, porém sempre com o pano de fundo informativo. Ou seja: a leveza é uma forma de atrair, de se fazer visto. A partir daí, prestamos o serviço, que é informar o cidadão e interagir com ele.

Alguns conteúdos da Prefeitura tem sido ‘hits’ de engajamento, como o ‘Que Bairro é Esse?’, o #AquiÉSalvador e as mensagens de conscientização com gírias baianas e memes da internet. Como é o processo criativo deles?

Eu divido nosso conteúdo por tipos: informativo (serviços da Prefeitura, informes para a população); lúdico (gírias, valorização da cultura da cidade, com a intenção de entreter); lúdico e informativo (um conteúdo de pegada divertida, mas que fala sobre algum serviço da Prefeitura); de conscientização (temas como educação no trânsito, campanhas contra o racismo, homofobia, machismo…); participativo (ideias que tragam a colaboração do cidadão); e o de oportunidade (baseado no que é tendência naquele momento na internet). Nos preocupamos muito com o formato mais adequado, se é vídeo, foto, texto ou gif, por exemplo, e com a estética: o conteúdo tem que ser atrativo em todos os sentidos. O retorno tem sido muito positivo. As pessoas se identificam e compartilham nosso conteúdo sem o antigo receio de estarem associadas à uma instituição pública.

A Prefeitura costuma utilizar as redes sociais também para contornar algumas situações de crise e de críticas à administração. Como a comunicação através da internet pode ser mais eficaz nesse sentido?

Outro dia li uma frase que traduz muito bem a dinâmica das redes sociais: ‘as tretas são mais importantes que os fatos’. Estamos inseridos num contexto no qual as pessoas se sentem mais atraídas pela crítica. Muitas vezes são críticas válidas, mas muitas vezes são mensagens falsas, boatos… Nessas horas, a internet é imediata. É ali que surge o problema, então é ali que você pode tentar resolvê-lo da forma mais rápida e direta. O importante é ter uma equipe sempre monitorando o que é dito, para que você possa ter agilidade nas respostas. Além disso, é necessário alinhar um discurso e todos as possíveis dúvidas que possam surgir sobre o assunto em questão e ter a clareza de assumir o erro quando for necessário. Uma situação inusitada foi quando um veículo de comunicação divulgou, equivocadamente, que a Prefeitura iria proibir que as baianas de acarajé vendessem a salada como acompanhamento. Isso repercutiu muito! As pessoas começaram a criticar a ‘decisão’. Pouco depois, decidimos esclarecer o equívoco com um post mais engraçado e leve, já que se tratava de um assunto mais ameno.

Como é lidar com essa ‘cobrança’ do bom humor nas redes sociais na hora de falar de ‘coisa séria’, como por exemplo os posts mais institucionais ou nas resposta às críticas?

É preciso ter bom senso para avaliar quando vale a pena brincar e quando é melhor segurar a onda. Acho que não existe uma fórmula, é questão de tato, de feeling, mesmo. A campanha da Nota Salvador, por exemplo, sempre teve uma linha mais séria, bem informativa… Então conseguimos alcançar o público da internet através de situações cotidianas. Exemplo: “Vai no dentista fazer um canal? Peça sua nota fiscal”. Agora, fica impossível usar esse tom numa campanha de IPTU, por exemplo, porque vai mexer no bolso do cidadão. O segredo é reconhecer até onde você pode ir a depender do contexto. É como digo: antes de sermos comunicólogos, somos cidadãos, e quando a gente pensa assim, reconhecemos os anseios da população.

É possível usar essa estratégia de comunicação – mais leve e divertida – também no marketing político ou durante uma campanha eleitoral? Até que ponto ser associado com um conteúdo mais bem-humorado pode ser bom para um candidato?

Sim. Quando você faz marketing político, a diferença é que a sua marca é uma pessoa. Então, primeiro você precisa entender quem é essa pessoa: a personalidade, a trajetória dela. Depois, entender como ela lida com os outros e qual é o público alvo dela. O terceiro passo é entender qual estratégia a campanha geral vai utilizar para trabalhar a imagem do candidato. A partir daí você saberá se vale a pena apostar em uma linha mais descontraída ou se ficará com uma linha mais clássica. Imagine trabalhar para um candidato evangélico, conservador, sério, e usar um meme da ‘Diferentona’? Não dá! Ou trabalhar para um candidato que defende a causa animal e apostar numa linguagem sem apelo emotivo? Eu, particularmente, sou super a favor da ‘zoeira’ na internet, mas desde que ela faça sentido.

Vimos na última campanha presidencial o candidato Eduardo Jorge (PV) ganhar visibilidade e até espaço em mídias mais tradicionais graças ao engajamento que sua equipe trouxe às redes sociais do político. É possível que uma campanha bem sucedida nas redes sociais ganhe espaço em outras mídias e, mais importante, consiga votos?

Não acho que a rede social vá garantir a vitória, mas ela pode ser um grande diferencial. O monitoramento do que é dito sobre o candidato na internet, por exemplo, pode gerar grandes insights para ele debater e até mudar os rumos de uma campanha. Sem contar outras questões que favorecem a web: o período de campanha foi reduzido de 90 para 45 dias, o tempo do candidato na TV também diminuiu, e agora os políticos podem se apresentar como pré-candidatos sem que isso configure propaganda antecipada. Ou seja: dá para começar o trabalho desde antes, aproveitando um cenário que já está em movimento. É importante também sair da caixa. Mesmo trabalhando para a web, é possível propor ações integradas com o ‘off-line’. Mostrar por exemplo os resultados da campanha na internet, elaborando relatórios diários sobre o cenário na web e transformando esses dados em informações úteis para a campanha ‘off’. Mas também é importante viver a campanha fora da sala. Participar dos eventos de agenda do candidato, manter contato com os marqueteiros para saber como andam as pesquisas e conversar com os eleitores para saber o que eles esperam.

1 Comentário

  1. leadlovers machine
    9 de julho de 2016

    Muito bom o artigo.

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