Feijão de Corda

Produtora com foco em cultura, criatividade e educação. Quer saber mais? Venha #DarCorda com a gente!

Nosso amor pelo teatro explicado!

Postado por em jul 28, 2016 em Entrevistas, Teatro | Sem comentários
Nossa entusiasta teatral e sócia da Feijão, Clarice Bartilotti! (Foto: Paulo Vitor Bispo)

Nossa entusiasta teatral e sócia da Feijão, Clarice Bartilotti! (Foto: Paulo Vitor Bispo)

Uma das características mais fortes – e legais! – da Feijão de Corda é a relação com o teatro, sempre presente na pauta da produtora desde o primeiro ano de atividade. E essa característica tem cara: a sócia Clarice Bartilotti, que é apaixonada pela arte cênica desde pequena. Nesse bate-papo, falamos sobre os tipos de peças que a Feijão ajuda a produzir, quais as montagens que ela mais gosta de fazer e como foi a trajetória dela nesse ambiente artístico. Confira:

Como foi que você se interessou pelo teatro?

Eu sempre tive contato com teatro graças ao meu padrinho, Paulo Pereira, que era ator. Ele me levava, desde pequena para assistir ensaios, montagens e apresentações de teatro, por isso dá pra dizer que cresci com o teatro em minha vida. Mas nunca pensei em ser atriz, nunca tive talento pra isso (risos). A vontade em trabalhar com teatro veio quando já estava na faculdade, fazendo Publicidade. Quando assisti a um show de Chico Buarque, me encantei com a iluminação. Lembro que tinha apenas um elemento cenográfico, que era tipo um ferro, que girava e ia tomando formas diferentes de acordo com a luz – virava o Cristo Redentor, montanhas, etc. Achei incrível, me emocionou de tal forma que decidi estudar e aprender aquilo.

E então?

Daí fui estagiar no Teatro Vila Velha com iluminação. Queria conhecer os refletores, como cada um funcionava, as possibilidades de “pintar” a cena com eles, além de meter a mão na massa, fazendo montagens e “afinações”. Era um trabalho pesado, mas eu adorava. Depois de um tempo lá, meu supervisor, Espírito (Fábio Espírito Santo), me ‘deu a real’, dizendo que eu precisava decidir o que iria fazer, que eu já tinha aprendido o que poderia ali na técnica e que a hora era de seguir meu caminho. Ele falou que eu poderia ser iluminadora ou produtora. Resolvi  investir em produção, comecei a estudar e fui convidada para participar, como produtora assistente, da montagem de Dorotéia, do grupo Panacéia Delirante (com direção de Hebe Alves). Mas foi depois, quando eu participei da produção executiva do projeto Minutos de Poesia, também do Panacéia Delirante (com direção de Gideon Rosa), que eu realmente aprendi o que era produção e aí eu me apaixonei de vez. Trabalhei na Carambola Produções com Milena Leão, onde entendi que arte é um negócio, e consegui mesclar as técnicas do marketing nos meus projetos. Lá também tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com Fernanda Tourinho, que me deu um repertório de ensinamentos fantástico, Inclusive, foi aí que pensei em investir em minha própria produtora, e depois de um tempo abri a Feijão com Ive (Caceres).

A visão do palco que a gente mais gosta: a plateia! Na foto, o Circo de Só Ler

A visão do palco que a gente mais gosta: a plateia! Na foto, o Circo de Só Ler

O que o teatro significa para a Feijão?

O teatro é uma coisa que a gente gosta de fazer, e é bem minha área. Ive trabalha com teatro também, mas mais com outras coisas da empresa, como a parte de cursos. As peças de teatro normalmente sou eu que toco. Fazemos de tudo: inscrição em editais e leis de incentivo, coordenação de produção, produção executiva, e tudo mais que aparecer, somos pau para toda obra (risos).. Em um espetáculo, por exemplo, conseguimos uma investidora para a temporada, e negociamos devolver o investimento com a arrecadação da bilheteria. Em épocas de crise temos que ser criativos!

Quais são as peças que você mais gosta de produzir?

As peças que mais gosto de produzir são aquelas que provocam os espectadores a se questionar, movimentar e encontrar novas formas de atuar na vida.

Vocês fazem muitas peças para crianças, como Leiturinhas Musicadas, Circo de Só Ler, etc. Acha que são referência nessa área?

Acho que estamos iniciando um trabalho. A gente começou a fazer peças de crianças meio sem querer, não foi algo programado, as demandas foram aparecendo. Começamos com uma, tivemos uma aceitação boa, fizemos algumas pesquisas e vimos que tem pouca programação infantil, por isso continuamos apostando nesse ramo. Mas (fazer peças para crianças) foi uma aposta nossa, não deixa de ser, porque não existiam muitas peças infantis. E a receptividade foi excelente, a gente recebeu vários elogios de pais e das próprias crianças.

Essa área infantil é carente de produções?

Extremamente. Existem poucas peças produzidas para crianças, e ainda mais peças que estimulem a criança a pensar, ouvir, dialogar, ler, etc. O Circo de Só Ler é um bom exemplo, porque trata da alfabetização de forma lúdica, e as crianças que iam assistir participavam das peças. Faltam mais iniciativas desse tipo. Mas falta uma cultura de levar a criança ao teatro, também. Ainda mais aqui em Salvador. Quando eu pergunto aos pais o que eles normalmente fazem com os filhos no fim de semana a maioria responde “levo pra passear no shopping”. Quer dizer, não se pensa no teatro como atividade de lazer, e é difícil mudar isso. Mas acredito que essa mudança já está acontecendo aos poucos e está sendo boa. E a gente quer ser parte disso.

Mais plateias que amamos:

 

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